Aplicações da Inteligência Artificial na leitura e acesso à informação das papeletas médicas (1910-1926) dos Hospitais da Universidade de Coimbra

Autores

  • Diéssica Braga-Loth CIAS – Centro de Investigação em Antropologia e Saúde, Departamento de Ciências da Vida, Universidade de Coimbra
  • Vitor Matos CIAS – Centro de Investigação em Antropologia e Saúde, Departamento de Ciências da Vida, Universidade de Coimbra; Laboratório de Antropologia Biológica, Departamento de Biologia, Escola de Ciências e Tecnologia, Universidade de Évora
  • Ana Margarida Dias da Silva CHSC – Centro de História da Sociedade e da Cultura, Departamento de Ciências da Vida, Universidade de Coimbra

DOI:

https://doi.org/10.48798/congressobad.3186

Palavras-chave:

Handwritten Text Recognition (HTR), Inteligência Artificial, Paleografia digital, Papeletas médicas, Transkribus

Resumo

A Paleografia tem sido recentemente revitalizada pelo desenvolvimento de tecnologias digitais e de Inteligência Artificial, que permitem automatizar processos de leitura de manuscritos e ampliar o acesso a conteúdos históricos. Inserido nesse contexto, o presente trabalho aplica métodos de Reconhecimento de Texto Manuscrito à transcrição das papeletas médicas (1910-1936) dos Hospitais da Universidade de Coimbra, preservadas no Arquivo da Universidade de Coimbra. Os testes iniciais com modelos genéricos de Reconhecimento de Texto Manuscrito em português, disponíveis na plataforma Transkribus, revelaram resultados insatisfatórios devido à coexistência, nas papeletas, de escrita datilografada e manuscrita e à diversidade caligráfica. Estes desafios demonstram a necessidade de desenvolver um modelo específico, adaptado à natureza e terminologia médica destes registos. O projeto alia Paleografia, Antropologia e Ciência da Informação, mostrando que a automatização só é eficaz quando acompanhada por curadoria e validação humanas. A Inteligência Artificial é aqui entendida como uma ferramenta colaborativa que amplia o olhar do investigador e contribui para a preservação ativa do património documental e científico, reforçando o papel dos arquivos como espaços de produção e difusão de conhecimento.

Biografia Autor

Diéssica Braga-Loth, CIAS – Centro de Investigação em Antropologia e Saúde, Departamento de Ciências da Vida, Universidade de Coimbra

Diéssica Braga-Loth é historiadora e doutoranda em Antropologia Biológica na Universidade de Coimbra. Sua pesquisa concentra-se na reconstrução da saúde e da doença em populações históricas por meio da integração da análise esquelética e de registros médicos de arquivo, utilizando ferramentas digitais e inteligência artificial. Seu trabalho explora o paradoxo osteológico, a fragilidade e a aplicação do reconhecimento de texto manuscrito à documentação médica histórica.

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Publicado

2026-06-16

Edição

Secção

Tecnologias e Desafios da Inteligência Artificial