Aplicações da Inteligência Artificial na leitura e acesso à informação das papeletas médicas (1910-1926) dos Hospitais da Universidade de Coimbra
DOI:
https://doi.org/10.48798/congressobad.3186Palavras-chave:
Handwritten Text Recognition (HTR), Inteligência Artificial, Paleografia digital, Papeletas médicas, TranskribusResumo
A Paleografia tem sido recentemente revitalizada pelo desenvolvimento de tecnologias digitais e de Inteligência Artificial, que permitem automatizar processos de leitura de manuscritos e ampliar o acesso a conteúdos históricos. Inserido nesse contexto, o presente trabalho aplica métodos de Reconhecimento de Texto Manuscrito à transcrição das papeletas médicas (1910-1936) dos Hospitais da Universidade de Coimbra, preservadas no Arquivo da Universidade de Coimbra. Os testes iniciais com modelos genéricos de Reconhecimento de Texto Manuscrito em português, disponíveis na plataforma Transkribus, revelaram resultados insatisfatórios devido à coexistência, nas papeletas, de escrita datilografada e manuscrita e à diversidade caligráfica. Estes desafios demonstram a necessidade de desenvolver um modelo específico, adaptado à natureza e terminologia médica destes registos. O projeto alia Paleografia, Antropologia e Ciência da Informação, mostrando que a automatização só é eficaz quando acompanhada por curadoria e validação humanas. A Inteligência Artificial é aqui entendida como uma ferramenta colaborativa que amplia o olhar do investigador e contribui para a preservação ativa do património documental e científico, reforçando o papel dos arquivos como espaços de produção e difusão de conhecimento.