Liderar entre estantes e trincheiras
uma abordagem autoetnográfica à liderança intermédia em Bibliotecas de Ensino Superior portuguesas
DOI:
https://doi.org/10.48798/congressobad.3192Palavras-chave:
Liderança intermédia, Bibliotecas de Ensino Superior, Autoetnografia analítica, Mediação organizacional, Trabalho emocionalResumo
A liderança nas Bibliotecas de Ensino Superior constitui uma prática de mediação técnica, relacional e ética entre políticas institucionais, comunidades académicas e equipas de trabalho. Apesar da centralidade desta função, a experiência da liderança intermédia permanece pouco estudada, sobretudo nas suas dimensões emocionais, relacionais e institucionais. Este artigo apresenta um estudo qualitativo de natureza autoetnográfica sobre a experiência de liderança intermédia em Bibliotecas de Ensino Superior portuguesas, a partir de três fontes de dados: diário reflexivo de incidentes críticos, entrevistas narrativas semiestruturadas e análise documental interpretativa. O estudo aborda uma lacuna empírica e metodológica, com particular relevância no contexto português, onde a autoetnografia é ainda pouco utilizada na investigação sobre liderança bibliotecária. A análise temática e interpretativa permitiu identificar quatro dimensões interdependentes: mediação ativa, contenção estratégica, presença conquistada e construção longitudinal de identidade profissional. Os resultados evidenciam que a liderança bibliotecária intermédia envolve trabalho de tradução institucional, gestão emocional sob pressão, sustentação da equipa e construção contínua de legitimidade, nem sempre visível de forma proporcional ao trabalho técnico e relacional envolvido. O estudo contribui para a investigação sobre liderança em bibliotecas académicas ao valorizar a autoetnografia analítica como método pertinente para captar componentes emocionais, éticos e relacionais pouco visíveis em abordagens exclusivamente externas ou documentais.