Ars Longa, Vita Brevis: O Arquivo como alquimia da preservação da memória à criação de sentido e resiliência democrática
DOI:
https://doi.org/10.48798/congressobad.3237Palavras-chave:
Alquimia informacional, Mediação proativa, Memória inclusiva, Resiliência democrática, Curadoria humana, Literacia da informaçãoResumo
Num panorama global de incerteza e de ameaças à democracia, onde a desinformação corrói o tecido social, os serviços de informação são desafiados a assumir um papel proativo de mediação e criação de significado. Esta comunicação apresenta o projeto editorial Camilo nos Braços de Gaia – Ars longa, vita brevis como caso de estudo paradigmático. Partindo do espólio do Arquivo Municipal Sophia de Mello Breyner (Vila Nova de Gaia), o projeto operacionaliza uma "alquimia da informação", fundindo fontes primárias díspares – hemerografia oitocentista, fundos privados, iconografia e manuscritos culinários – para construir uma cartografia afetiva da relação entre Camilo Castelo Branco e o território de Gaia. Demonstra-se como esta metodologia atua em quatro vetores: como antídoto à fragmentação, através da inclusão de memórias marginais; na transição do arquivo para um "Terceiro Lugar" de mediação ativa; como exercício de ciência aberta nas humanidades; e na afirmação da curadoria humana crítica face à Inteligência Artificial. Conclui-se que o projeto constitui um modelo de resiliência democrática que transforma instituições de memória em pilares ativos de uma cidadania informada e inclusiva.