“Não é uma rampa que me faz querer entrar”: inclusão cultural da pessoa com deficiência nas bibliotecas e arquivos portugueses

Autores

  • Maria João Albuquerque Investigadora independente

DOI:

https://doi.org/10.48798/congressobad.3198

Palavras-chave:

Inclusão, Pessoa com deficiência, Cocriação, Património cultural, Acessibilidade

Resumo

Nas últimas décadas, registaram-se progressos nas acessibilidades, físicas, digitais e de conteúdos, em bibliotecas e arquivos: rampas, elevadores, websites adaptados e tecnologias de apoio à leitura para pessoas cegas tornaram-se mais comuns, ainda que de forma muito desigual entre instituições. Contudo, estar disponível não é o mesmo que ser utilizado, poder entrar não equivale a pertencer e estar presente não é o mesmo que participar. A inclusão cultural só se concretiza plenamente quando há cocriação, isto é, quando as pessoas com deficiência são participantes ativas na fruição, interpretação, produção e curadoria do património cultural. Esta comunicação propõe uma reflexão crítica sobre o papel das bibliotecas e dos arquivos na inclusão cultural das pessoas com deficiência, articulando o quadro normativo europeu e nacional com um levantamento de práticas recentes em Portugal. A análise evidencia avanços modestos nas acessibilidades físicas, digitais, sensoriais e comunicacionais, bem como experiências de leitura acessível, mediação multissensorial, programação inclusiva e cocriação. Contudo, mostra também que estas respostas permanecem desiguais, dispersas e pouco sustentadas por políticas públicas. Questiona-se, por isso, se as práticas atuais vão para além da acessibilidade formal e se a política nacional reconhece plenamente bibliotecas e arquivos como espaços de cidadania, memória, leitura e participação cultural para todos.

Biografia Autor

Maria João Albuquerque, Investigadora independente

Maria João Durães Albuquerque é bibliotecária, exercendo presentemente funções na Secretaria-Geral do Ministério da Administração Interna, tendo passado por instituições como a Biblioteca Nacional de Portugal, a Biblioteca da Ajuda e bibliotecas da área da segurança e defesa. É doutorada em Ciências da Informação pela Universidade Complutense de Madrid e investigadora integrada no INET-md/NOVA FCSH. Tem participado em projetos nacionais e internacionais ligados à cultura impressa, à música e ao património. Colaborou em projetos como PROFMUS -Ser Músico em Portugal e integra a ação COST PCPSCE. A sua investigação centra-se na edição musical e na documentação musical.

Downloads

Publicado

2026-06-16

Edição

Secção

Serviços de Informação como Espaços de Democracia e Cidadania